quinta-feira, 9 de julho de 2009

Os Dois

Ela saiu correndo,esquadrinhou o quintal em busca de olhares.Não encontrou nenhum.Parou,seu coração tamborilava dentro do peito,ela arfava.Sentiu os joelhos enfraquecerem.Caiu sentada no degrau do jardim.
Sentiu os soluços irromperem o silencio da casa,as lágrimas desciam pela face como cascatas vindas dos olhos.Ela se odiava,sim odiava.
Naquele momento percebeu que não estava sozinha,havia formigas,joaninhas,samambaias,tatus-bola,a jabuticabeira e até a sua tartaruga.Todos olhavam para ela.
Sentiu-se pequena denovo.Ela o mandara embora ,disso tinha certeza.
Sentiu o frio invadi-la denovo,parou para pensar e constatou que se tornara aquilo que sempre detestou.
Ela tinha emudecido,tinha a alma acorrentada a algo que nunca existiu.Isso a enfurecia.
Com a cabeça ainda entre os joelhos,começou a lembrar de tudo o que acontecera naquelas ultimas semanas.Percebeu,não tinha como ,ela ficara realmente dividida.Mas por mais que quisesse resistir,o destino lhe pregara uma peça.
Os abraços,os beijos, a atenção,não conseguia evitar.Os dois ali,sempre ali.Ela o amava,por mais que odiasse essa situação,ela o amava e não havia nada para fazer contra aquilo.
Se deu conta que fizera uma escolha,agora tinha certeza que ele contribuiu demais para o desfecho de tudo.A culpa não podia ser toda dela.
No início haviam dois,e com o tempo ela viu que não tinha a menor chance.
A cabeça girava,ela não queria que ele fosse embora.Ela estava disposta a dar um pouco do amor que tanto perdeu em discursos e cartas.Mas mesmo assim...Afinal a quem ela estava tentando enganar?Sabia que seria apenas uma questão de tempo,até encontrar os olhos daquele denovo,até sentir aquela vontade maluca que machuca toda vez que se guarda para si.
O final seria o mesmo.Ela já havia descoberto,da pior forma,sem qual deles não poderia viver.Mesmo que fosse somente em sonhos distantes e impossiveis.
Tornou a olhar em volta,ela ainda estava ali,entre o jardim,todos de olhos baixos,como se pudessem escutar seus pensamentos.
Olhou para o céu,ele estava escuro e sem estrelas,havia somente a lua,ali olhando com aqueles olhos grandes parecendo radiografar a alma dos seus amantes.Ela enxugou os olhos,puxou o ar e teve a impressão que não respirava fazia muito tempo.Ela voltou para dentro.
Parecia ter se passado uma eternidade quando ela olhou na tela.Não se passara tanto tempo assim.
Sentou-se na cadeira,respirou fundo mais uma vez e então digitou:

—Boa Noite,Dan.

E teve a certeza que tudo terminara ali.

4 comentários:

  1. Parabéns pelo manejo das palavras, Sah. Esse tom autobiográfico transborda sinceridade e emoção.

    Muito legal.

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  2. Muito interessante, Vc escreve contos Moça ?

    Vou sgeuir teu blog...adorei..Bjão!

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  3. Sempre soube desse seu talento com as palavras, e não duvido que vá se tornar um grande sucesso.
    Saiba que sempre estarei aqui se precisar conversar e pra te ajudar tb.
    Um beijão, te amo Sah <3
    Nico.

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  4. Bah, vc me surpreende guria!
    Quando penso que é uma coisa, lá vem você mudando tudo.
    Adoro detalhes e você é ótima nisso.

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