domingo, 4 de maio de 2014

O peso do Adeus

...Ou Aqueles soluços que ninguém ouviu.

Escrito quando tudo naquele lugar parecia fora do lugar, e palavras cortavam seu caminho de saída de dentro do meu peito. As lágrimas não eram mais suficientes.

Se os laços que criamos são eternos, se somos responsáveis por cada vida que tocamos, o que fazer quando não estivermos mais aqui, e tudo o que restar for lágrimas e um eco no espaço?

Ela já não se lembrava quem era, parecia ir e vir dentro do seu próprio mundo. Confusa, se esquecia da tragédia, de quem havia partido. Infelizmente, não era um consolo, cada vez que a memória resolvia voltar a vida. A dor era a mesma, o pior tipo de esquecimento, não deixava o tempo fazer sua função:abrandar a dor.
No meio daquele lugar enorme, eu seguia sem entender qual era o papel de cada um. Ombros caídos, lágrimas, todo o tipo de lamento. Reviver a dor depois de sete dias, continuava não fazer sentido,mesmo como convenção social. Mas esse tipo de evento é feito somente para os vivos.
Eu ouvi os soluços, os cabelos brancos e percebi que o ciclo da vida, estava todo errado. Eu segurei sua mão, mesmo sabendo que ela não se lembraria de mim, ou se saberia o tempo todo o porque de estar ali. Mas olhos, perdidos na neblina da idade, sabiam que não era certo enterrar o próprio filho.
Eu senti a sua solidão, ao olhar para trás e não ver seus pais ou passado, e agora, ao olhar para frente, e não ver seu futuro, nem sua filha ali. Havia uma brecha, uma fenda enorme no seu peito, e a suplica: eu só queria que isso tudo passasse.
Eu quis segurar sua dor e a levar dali, eu quis deitar no seu colo e pedir um beijo de boa noite. Assoprar até que tudo acabasse. Mas eu só assegurei que seus passos fossem certos até o fim daquele lugar gelado.

Eu nunca disse adeus. Nunca disse o quanto sentia. Eu só sinto muito mais medo, pelos vivos que parecem vagar em volta de um circulo sem solução.

Eu sou filha, neta, bisneta, sou aquela que ninguém sabe o nome, aquela que segurou a mão dela até os soluços pararem. Que disse que tudo ficaria bem, sabendo que nunca mais nada ficaria bem para o casal que nunca imaginou entregar a sua cria nas mãos frias da morte.



Eu te amo.

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