domingo, 7 de abril de 2013

Verde.

- Eu te amo.
- É complicado.
- E eu sei que você me ama também.
- Você não pode ter certeza de algo que eu nunca disse.

Ela corria. Os rostos passavam como borrões na sua frente, Tudo o que podia ouvir era o som da própria respiração entrando em rajadas rápidas e irregulares.
Sentia o aperto do medo como garras dentro do peito. Não era algo que podia ser evitado. Todos os caminhos levavam aquele mar de diversos tons de verde. Ela ainda corria, e quando o ar faltou, tropeçou e se agarrou a precipício, com medo de olhar para baixo e não conseguir resistir a tentação de se soltar. O medo e o fascínio faziam morada dentro dela.

- Por que você corre, criança?
- Eu tenho medo.
- Todos nós temos nossos medos. Mas existem medos inevitáveis que não podemos fugir. Qual o teu?
- Tenho medo de me perder dentro daquela liquidez...
- Do mar? Você sempre soube nadar...
- Não do mar, dos olhos.

"Dizem que não devemos despertar as pessoas de seus sonhos..."

- Por que você esconde o olhar?
- Porque eu fujo.
- Você tá parada bem na minha frente...Isso não me parece fugir.
- Você não entende. Eu fecho os olhos porque parte de mim corre para longe de você. Para longe desse sentimento todo.
- Então vai. Você está livre.
- Eu já tentei. Mas no fim, eu tropeço e sempre acabo olhando para aquela imensidão, agarrada aquele precipício como uma criança perdida.
- O que isso quer dizer?
- Que eu estou fugindo de você.

Então ela se soltou. Por instantes sentiu a mais pura forma de liberdade, até se chocar com a água. Teve medo de se machucar, mas foi como se finalmente estivesse no lugar certo. Era tranquilo, fácil. Ali reinava a paz. No fundo verde daquele mar ela viu as mais diversas formas, ainda escondidas. Ela decidiu nunca mais ir embora dali.
Até abrir os olhos.

- Vê se entende, você pode tentar fugir mas eu não vou te soltar. Eu vou cuidar de você.
Porque eu não sou de fugir ou me esconder.Eu te amo. E eu amo o jeito que você se encolhe pra dormir, ou esconde o rosto para eu não te ver chorar. E sim, eu te irrito de propósito, porque você fica linda brava. E não adianta fazer essa cara, porque mesmo sendo durona e marrenta por fora, eu sei que me ama também. Mas tudo bem, porque você vai ser a minha marrenta. Entendeu?

A respiração baixou e o silêncio tomou conta das ações. Os olhos se encheram de lágrimas e naquele instante percebeu que, se soltar daquele precipício foi o certo a fazer. Porque aquela paz não vinha das matizes de verde do mar, mas sim dos olhos dele.
Foi como encontrar seu lugar no mundo.

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